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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Jornal Nacional 190211 Governo da Líbia corta internet e usa violência p...

Revoltas no mundo islâmico - VEJA

Revoltas no mundo islâmico - VEJA

Quase 100.000 fugiram da Líbia na última semana, diz ONU

No sábado, o Conselho de Segurança impôs sanções contra o regime de Kadafi


Refugiados líbios aguardam ônibus em Ben Gardane, na Tunísia, após fugirem do seu país (Fred Dufour / AFP)
Refugiados líbios aguardam ônibus em Ben Gardane, na Tunísia, após fugirem do seu país

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) estimou neste domingo em quase 100.000 o número de pessoas que fugiram da Líbia nos últimos dias para escapar da repressão do regime político de Muamar Kadafi contra a mobilização popular. O levantamento sobre a debandada no país é divulgado um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU aprovar por unanimidade uma resolução que envia a Trípoli a firme mensagem de que a comunidade internacional não tolera as violações sistemáticas dos direitos humanos nem os ataques contra a população. Diplomatas calculam que o número de mortos após 10 dias de repressão chegaria a 2.000 pessoas.

O Acnur estabeleceu equipes de emergência nas divisas da Líbia com Tunísia e Egito para ajudar as autoridades locais e ONGs presentes no local a lidarem com a catástrofe humanitária. Segundo o governo tunisiano, desde o último dia 20, 40.000 pessoas atravessaram sua fronteira. Deles, 18.000 eram tunisianos, 15.000 egípcios, 2.500 líbios e 2.000 chineses. As autoridades egípcias, por sua vez, assinalaram que cerca de 55.000 pessoas haviam cruzado sua fronteira desde o dia 19. Desses, 46.000 eram egípcios, 2.100 líbios e 6.900 de nacionalidades diversas, especialmente asiáticos.

"Estamos comprometidos a ajudar qualquer pessoa que fuja da Líbia. Fazemos um apelo à comunidade internacional para que responda rápido e com generosidade para ajudar esses governos a enfrentarem a emergência humanitária", assinalou o alto comissário António Guterres, citado em comunicado. O Acnur também está auxiliando pessoas sem passaportes válidos em terras sem controle entre Líbia e Egito.

Brasileiros - Os brasileiros também seguem deixando o país. O último grupo, formado por 148 pessoas, entre funcionários da construtora Queiroz Galvão e seus familiares, embarcou na manhã deste domingo em um navio que chegou ao porto de Pireu, em Atenas, na Grécia, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores.

Eles estavam retidos no país devido aos conflitos após protestos contra o regime de Kadafi, que está no poder desde 1969. A embarcação havia partido de Benghazi, um dos focos do conflito entre manifestantes e forças do governo, na manhã de sábado. Todos haviam embarcado na sexta, mas o mau tempo impediu que a viagem começasse no mesmo dia.

O governo brasileiro informou que a viagem transcorreu sem problemas e que todos estão bem. A operação foi organizada pela embaixada brasileira em Atenas e paga pela Queiroz Galvão. Na segunda, eles embarcam de avião para o Brasil, em voo que fará escala em Portugal. Além de brasileiros, cidadãos de outras nacionalidades também estavam a bordo.

Sanções - A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, assegurou neste domingo que a União Europeia tomará "com urgência" medidas contra Kadafi, como o congelamento de seus fundos, a proibição de viajar e o embargo de armas, na mesma linha da resolução do Conselho de Segurança da ONU, que na noite de sábado decidiu, de maneira unânime, impor sanções de viagens e bens ao ditador e seus aliados próximos, aumentando a pressão sobre ele para que renuncie antes que mais sangue seja derramado em protestos populares contra seu governo.

"A UE respalda totalmente esta resolução e imporá medidas restritivas com urgência", enfatizou a alta representante em comunicado divulgado nesta madrugada. "A adoção formal acontecerá tão em breve quanto possível para assegurar sua aplicação completa e imediata", acrescentou. A também vice-presidente da Comissão Europeia explicou que está em contato com parceiros internacionais como a ONU e os Estados Unidos para discutir os seguintes passos.

ONU - O Conselho de Segurança da ONU também adotou um embargo de armas e pediu que a violenta repressão contra os manifestantes que se opõem ao coronel seja enviada ao Tribunal Criminal Internacional para investigar e possivelmente processar os responsáveis pelas mortes de civis. Quinze países aprovaram a resolução horas depois que a polícia de Kadafi abandonou partes da capital Trípoli e que os Estados Unidos disseram que ele deve deixar o poder.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, considerou que a resolução é um "passo vital para o fim da repressão na Líbia", além de que proporciona alívio às vítimas. Ele acrescentou ainda que os ataques do regime líbio contra a população "são uma clara violação de todas as normas que regem o comportamento internacional e uma séria transgressão da lei internacional e dos direitos humanos". E reiterou: "São inaceitáveis".

Para ele, as sanções são também um passo necessário para "acelerar a transição rumo a um novo sistema de governo que inclua o consentimento e a participação do povo", além de indicar que acompanhará de perto a situação e o contato com os líderes regionais. O secretário expressou ainda sua solidariedade ao povo líbio ao fazer frente aos ataques, assim como pela carestia de alimentos e remédios, e lhes desejou um "novo e em breve futuro pacífico, próspero e democrático".

O secretário-geral da ONU se referiu igualmente a que nos próximos dias buscará "passos similares" da Assembleia Geral, que no começo desta semana terá que submeter à votação a recomendação do Conselho de Direitos Humanos (CDH) do organismo para que a Líbia seja expulsa desse fórum com sede em Genebra.

(Com agências EFE e Reuters)
Tags: kadafi, líbia, refugiados, tunisia.

MURO DE BERLIM

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GAZETA NEWS 25/01/2011

LIBERDADE JÁ

Vale registra lucros recordes em 2010 e desbanca Petrobras como maior exportadora brasileira

No ano todo, a empresa registrou lucro líquido de US$ 17,264 bilhões, valor 222,7% maior que em 2009. Resultado foi ajudado pela alta no preço do minério de ferro
Redação Época, com Agência Estado

A Vale, maior empresa de minério de ferro do mundo, registrou lucro líquido de US$ 5,917 bilhões no quarto trimestre de 2010. O resultado, apresentado no padrão contábil norte-americano (US GAAP), é 289,5% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior. A receita líquida da companhia, no período, foi de US$ 14,929 bilhões, aumento de 135,7%, e a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes da dedução de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 313,5%, para o valor recorde de US$ 8,869 bilhões.

Apesar de o Brasil ter mudado seu padrão contábil para o padrão internacional (IFRS), o que mudaria os números apresentados, o US GAAP continuará sendo usado para o acompanhamento da Vale pelo mercado. A empresa esperou até depois das 23 horas de quinta (24), no horário de Brasília, para divulgar seu balanço, medida tomada tendo em vista a abertura da maioria dos mercados asiáticos - desde dezembro, a Vale listou suas ações na Bolsa de Hong Kong.

No resultado do ano todo, a mineradora atingiu recordes históricos. O lucro líquido da Vale cresceu 222,7%, para US$ 17,264 bilhões; a receita bruta atingiu US$ 46,481 bi, um crescimento de 94,16%; a líquida aumentou 94,3%, para US$ 45,293 bilhões; e o Ebitda de 2010 alcançou US$ 26,116 bilhões, valor 184,9% maior que o registrado em 2009.


Padrão internacional


Tendo como padrão o IFRS, ao invés do US GAAP, os resultados da Vale são diferentes - a começar pelo fato de que os números são divulgados todos em reais. No último trimestre de 2010, o lucro líquido da mineradora, nesse padrão, foi de R$ 10,002 bilhões. A receita líquida foi de R$ 26,493 bi, o que representa um crescimento de 126,8%, e o Ebitda chegou a R$ 14,636 bilhões, valor 293,8% maior que no mesmo período de 2009.

Os resultados considerando todo o ano de 2010 também são diferentes. O lucro líquido foi de R$ 30,070 bi, crescimento de 190,9%; a receita líquida subiu 71,6%, para R$ 83,255 bi; e o Ebitda fechou em R$ 46,378 bilhões, ou 148,8% a mais que em 2009.

Os bons números da Vale são reflexos, entre outros fatores, dos preços mais elevados do minério de ferro, modificados em 1º de abril do ano passado. Na data, foi adotado um novo sistema trimestral de reajuste de preços para a commodity, procurando contornar a proximidade, no mercado, entre a oferta e a demanda pelo produto. Desde então, os reajustes têm sido para mais, com a exceção do quarto trimestre de 2010, quando as cotações do mercado á vista chinês (spot) de junho a agosto abaixaram os preços.


Variação dos preços


Por causa da variação negativa dos preços no último trimestre de 2010, a Vale vendeu a tonelada do minério de ferro a um preço médio de US$ 121,34, valor 5,4% menor que no trimestre anterior. Ainda assim, o valor é 117,2% mais alto quando comparado com o preço do mesmo período de 2009. O preço médio da tonelada de pelota foi de US$ 179,53, um valor 145,2% superior ao do intervalo equivalente de 2009, mas 8,5% inferior ao do terceiro trimestre do ano passado.

Também na sua receita operacional com a commodity, a Vale registrou leve queda no valor, de 2,8%, comparado ao trimestre anterior, chegando a US$ 8,476 bi, mas ainda assim foi um número maior quando comparado com o mesmo período do ano de 2009 - o volume vendido de minério subiu 2,6%, para 69,860 milhões de toneladas. O total comercializado de pelotas foi de 10,681 milhões de toneladas no último trimestre de 2010, estável ante as 10.585 milhões de toneladas do terceiro trimestre.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

VEJA COMO MUAMMAR KHADDAFI REPRIME AS MANIFESTAÇOES NA LÍBIA

Mais uma cidade estaria sob controle de manifestantes na Líbia 21/02/2011

Líbia: uma ditadura em ruínas

Em meio a protestos cada vez maiores, deserções de militares e renúncias de ministros e embaixadores, o ditador da Líbia, Muammar Khadafi, tenta se segurar no poder abusando da violência
Redação época, com agências


Em um famoso discurso em 1986, o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, chamou o ditador líbio, Muammar Khadafi, de "cachorro louco do Oriente Médio". Nesta segunda-feira (21), não poderia haver um apelido mais perfeito para Khadafi, que empreendeu um ataque militar contra a população civil da Líbia, uma tentativa desesperada e criminosa de se perpetuar no poder. Mais cedo, em um outro sinal de que seu regime vive os últimos dias, Khadafi colocou o filho, Saif al-Islam, na TV estatal para fazer um discurso desastrado, no qual chamou os manifestantes de “drogados” e levantou a possibilidade de que a Líbia fosse novamente “colonizada pelo Ocidente” ou se transformasse em um “emirado islâmico”.

Nesta segunda, a violência chegou à capital da Líbia, Trípoli. Grupos pró e anti-Khadafi entraram em confronto na praça Verde, um dos pontos mais famosos da cidade. A agência de notícias Reuters e a rede árabe Al Jazeera relataram que prédios estatais teriam sido incendiados na cidade. Ao jornal britânico The Guardian, Salem Gnan, porta-voz baseado em Londres da organização oposicionista Frente Nacional para a Salvação da Líbia, afirmou que a residência de Khadafi em Trípoli teria sido cercada por oposicionistas. “Eles tentaram entrar, mas houve um intenso tiroteio e muitas pessoas foram mortas”, afirmou. “Os manifestantes fugiram, estão escondidos, mas vão voltar pois não têm mais nada a perder”, disse. A rede Al Arabiya afirmou que prédios de duas emissoras estatais em Trípoli – a TV Al-Jamahiriya 2 e a rádio Al-Shababia – teriam sido saqueados.
Relatos divulgados por diversas emissoras de TV e agências de notícias afirmam que a Força Aérea da Líbia realizou vários ataques contra os manifestantes usando aviões e helicópteros. O número de mortos não foi confirmado, mas a Al Arabiya fala em 160 pessoas. A Al Jazeera colocou o número em 250. Por terra, as forças aliadas a Khadafi estão, aparentemente, usando mercenários estrangeiros. A EFE informou que a situação em Trípoli é de máxima tensão, com corpos dispostos nas ruas e contínuos barulhos de tiros em vários bairros da cidade, inclusive de projéteis de artilharia pesada. Testemunhas afirmaram à agência AFP que o dia em Trípoli registrou diversos "massacres". De acordo com a organização Human Rights Watch, o número de mortes entre os dias 16 e 20 teria chegado a pelo menos 233. A HRW afirmou, entretanto, que esta é uma estimativa “conservadora” e que o número de mortos pode ser muito maior.

Para muitas dessas informações, é grande a dificuldade de verificação. A imprensa internacional está proibida de entrar e trabalhar na Líbia e o acesso à internet foi cortado e só é retomado em determinados momentos. Muitas das informações são passadas por líbios pelo telefone, mas há relatos de que tanto telefones fixos quanto celulares estariam sendo desligados.

Além de Trípoli e de Benghazi, muitas outras cidades líbias já registraram manifestações contra Khadafi, como Derna, Baida e Tubruk. Em Ras Lanuf, no norte do país, os protestos teria feito com que a população se organizasse para proteger uma importante refinaria. De acordo com a EFE, Jalu teria sido tomada por opositores, a exemplo de Benghazi. Nas duas cidades, os militares teriam deixado de lado a fidelidade a Khadafi e se aliado aos opositores.
Apoio a Khadafi começa a ruir

Uma mostra de que o apoio a Khadafi está ruindo foi dada por diplomatas importantes da Líbia. Segundo a BBC Brasil, os embaixadores da Líbia na China e na Índia anunciaram suas renúncias, mesma atitude do embaixador do país na Liga Árabe. No Cairo (Egito), onde a liga é baseada, Abdel Moneim al-Honi disse a jornalistas "que está se unindo à revolução". O ministro da Justiça da Líbia, Mustafa Abdeljalil, também renunciou em represália à resposta violenta que o governo deu aos protestos. Dois coroneis da Força Aérea se recusaram a atacar compatriotas e desertaram, levando seus caças Mirage para Malta. O número dois da hierarquia da Líbia nas Nações Unidas, Ibrahim Dabbashim, chamou a resposta violenta de Khadafi de "genocídio" e afirmou que a população "vai chutá-lo para fora do país". "Este é o fim do jogo. Todo o regime está desmoronando. Não vai demorar até estar tudo acabado", disse.

A escalada da violência na Líbia deve fazer com que a União Europeia determine a evacuação imediata de seus cidadãos da Líbia. As petrolíferas Statoil e British Petroleum, da Noruega e do Reino Unido, respectivamente, já anunciaram a retirada de seus empregados da Líbia. Segundo a Agência Brasil, a embaixada do Brasil na Líbia aguarda autorização do governo de Kadhafi, para o pouso de um avião fretado que vai retirar cerca de 170 brasileiros que estão em Benghazi. O avião foi fretado pela construtora Queiroz Galvão, responsável por alguns dos brasileiros que estão na região. Há também funcionários das empreiteira Odebrecht e da petrolífera Petrobras. Na Líbia, de acordo com o Itamaraty, há cerca de 500 a 600 brasileiros. A ideia é retirar essas pessoas, que estão em Benghazi, e levá-las para a capital da Líbia, Tripoli. Porém, é necessário ainda obter visto de saída para os brasileiros. Só depois dessa autorização, os brasileiros poderão deixar a região.

Discurso de Saif era o prenúncio da violência


Said al-Islam, o filho de Khadafi, apareceu na TV estatal da Líbia por volta da uma hora da manhã (20h no horário de Brasília). Sentado, vestindo terno e com o dedo em riste, ele fez alusões a reformas políticas, uma concessão tardia, feita no desespero também pelos ex-ditadores da Tunísia e do Egito nos dias derradeiros de seus governos. Saif falou em criar “novas leis e um debate nacional sobre uma nova Constituição” e cogitou até criar um novo hino e uma nova bandeira para a Líbia. “Antes que todo o mundo tome as armas e haja uma guerra civil e uma cisão na Líbia, é preciso um debate nacional, com o qual Khadafi está de acordo, para passar a uma segunda república”, disse.

Em seguida, Saif, que não possui qualquer cargo oficial, mas que é visto como possível sucessor do pai, começou a traçar um futuro catastrófico para a Líbia caso os protestos continuem, numa aparente alusão ao que aconteceria durante o dia. Ele afirmou que a Líbia pode entrar em um ciclo de violência mais grave que aqueles do Iraque ou da Iugoslávia e que pode se dividir como as Coreias. “Veremos um ao outro por meio de cercas, vocês esperarão meses por um visto, ninguém vai vir para a Líbia fazer negócios”, afirmou. Além da suposta ameaça de guerra civil, o filho do ditador disse que “poderia haver outra guerra em torno do petróleo, em torno da distribuição dessas riquezas” e que os líbios correm “o risco de voltar à época da fome”. Saif atribuiu a violência no país a um “plano de desestabilização”, por trás do qual estariam líbios vivendo no exterior, organizações radicais islamitas e um terceiro grupo “integrado por pessoas de todas as classes, entre eles crianças, drogados, foragidos da Justiça e inclusive pessoas honestas, que expressam reivindicações legítimas”. Ele também atribuiu à imprensa parte da culpa por estimular os protestos, e disse que se manteria fiel a seu pai até o fim. “Estamos com a Líbia, com Khadafi e lutaremos até o último minuto até a última gota de sangue para salvaguardar nosso país e sua unidade”, disse.

Como fizeram Zine el-Abidine Ben Ali (Tunísia) e Hosni Mubarak (Egito), Khadafi responde aos protestos de forma violenta e acena com mudanças depois que a situação degringolou de forma irreversível. Após décadas de opressão e falta de liberdade, algumas populações árabes parecem ter perdido o medo de desafiar os ditadores. Claramente, esta é a situação da Líbia atualmente, e que pode tornar o país a terceira nação árabe a expulsar seu ditador em menos de dois meses.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Série Tecnologia: Vale do Silício (JN)

China se torna a segunda maior economia do mundo

China é, oficialmente, a segunda maior economia do mundo

Brasileiros migram do Japão e de outras cidades do Brasil atrás de oport...

Revolução Industrial

A substituição das ferramentas pelas máquinas, da energia humana pela energia motriz e do modo de produção doméstico pelo sistema fabril constituiu a Revolução Industrial; revolução, em função do enorme impacto sobre a estrutura da sociedade, num processo de transformação acompanhado por notável evolução tecnológica.

A Revolução Industrial aconteceu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII e encerrou a transição entre feudalismo e capitalismo, a fase de acumulação primitiva de capitais e de preponderância do capital mercantil sobre a produção. Completou ainda o movimento da revolução burguesa iniciada na Inglaterra no século XVII.


Etapas da industrialização



Podem-se distinguir três períodos no processo de industrialização em escala mundial:



1760 a 1850 – A Revolução se restringe à Inglaterra, a "oficina do mundo". Preponderam a produção de bens de consumo, especialmente têxteis, e a energia a vapor.



1850 a 1900 – A Revolução espalha-se por Europa, América e Ásia: Bélgica, França, Ale­manha, Estados Unidos, Itália, Japão, Rússia. Cresce a concorrência, a indústria de bens de produção se desenvolve, as ferrovias se expandem; surgem novas formas de energia, como a hidrelétrica e a derivada do petróleo. O trans­porte também se revoluciona, com a invenção da locomotiva e do barco a vapor.



1900 até hoje – Surgem conglomerados industriais e multinacionais. A produção se automatiza; surge a produção em série; e explode a sociedade de consumo de massas, com a expansão dos meios de comunicação. Avançam a indústria química e eletrônica, a engenharia genética, a robótica
Artesanato, manufatura e maquinofatura



O artesanato, primeira forma de produção industrial, surgiu no fim da Idade Média com o renascimento comercial e urbano e definia-se pela produção independente; o produtor possuía os meios de produção: instalações, ferramentas e matéria-prima. Em casa, sozinho ou com a família, o artesão realizava todas as etapas da produção.

A manufatura resultou da ampliação do consumo, que levou o artesão a aumentar a produção e o comerciante a dedicar-se à produção industrial. O manufatureiro distribuía a matéria-prima e o arte­são trabalhava em casa, recebendo pagamento combinado. Esse comerciante passou a produzir. Primeiro, contratou artesãos para dar acabamento aos tecidos; depois, tingir; e tecer; e finalmente fiar. Surgiram fábricas, com assalariados, sem controle sobre o produto de seu trabalho. A produtividade aumentou por causa da divisão social, isto é, cada trabalhador realizava uma etapa da produção.

Na maquinofatura, o trabalhador estava sub­metido ao regime de funcionamento da máquina e à gerência direta do empresário. Foi nesta etapa que se consolidou a Revolução Industrial.

O pioneirismo inglês



Quatro elementos essenciais concorreram para a industrialização: capital, recursos naturais, mercado, transformação agrária.

Na base do processo, está a Revolução Inglesa do século XVII. Depois de vencer a monarquia, a burguesia conquistou os merca­dos mundiais e transformou a estrutura agrária. Os ingleses avançaram sobre esses mercados por meios pacíficos ou militares. A hegemonia naval lhes dava o controle dos mares. Era o mercado que comandava o ritmo da produção, ao contrário do que aconteceria depois, nos países já industrializados, quando a produção criaria seu próprio mercado.

Até a segunda metade do século XVIII, a grande indústria inglesa era a tecelagem de lã. Mas a primeira a mecanizar-se foi a do algodão, feito com matéria-prima colonial (Estados Uni­dos, Índia e Brasil). Tecido leve, ajustava-se aos mercados tropicais; 90% da produção ia para o exterior e isto representava metade de toda a exportação inglesa, portanto é possível perceber o papel determinante do mercado externo, principalmente colonial, na arrancada industrial da Inglaterra. As colônias contribuíam com matéria-prima, capitais e consumo.

Os capitais também vinham do tráfico de escravos e do comércio com metrópoles colonialistas, como Portugal. Provavelmente, metade do ouro brasileiro acabou no Banco da Inglaterra e financiou estradas, portos, canais. A disponibilidade de capital, associada a um sistema bancário eficiente, com mais de quatrocentos bancos em 1790, explica a baixa taxa de juros; isto é, havia dinheiro barato para os empresários.

Depois de capital, recursos naturais e merca­do, vamos ao quarto elemento essencial à industrialização, a transformação na estrutura agrária após a Revolução Inglesa. Com a gentry no poder, dispararam os cercamentos, autorizados pelo Parlamento. A divisão das terras coletivas beneficiou os grandes proprietários. As terras dos camponeses, os yeomen, foram reunidas num só lugar e eram tão poucas que não lhes garantiam a sobrevivência: eles se transforma­ram em proletários rurais; deixaram de ser ao mesmo tempo agricultores e artesãos.

Duas conseqüências se destacam: 1) diminuiu a oferta de trabalhadores na indústria doméstica rural, no momento em que ganhava impulso 0 mercado, tornando-se indispensável adotar nova forma de produção capaz de satisfazê-lo; 2) a proletarização abriu espaço para o investimento de capital na agricultura, do que resultaram a especialização da produção, o avanço técnico e o crescimento da produtividade.

A população cresceu, o mercado consumidor também; e sobrou mão-de-obra para os centros industriais.

Mecanização da Produção



As invenções não resultam de atos individuais ou do acaso, mas de problemas concretos coloca­dos para homens práticos. O invento atende à necessidade social de um momento; do contrário, nasce morto. Da Vinci imaginou a máquina a vapor no século XVI, mas ela só teve aplicação no ,século XVIII.

Para alguns historiadores, a Revolução Industrial começa em 1733 com a invenção da lançadeira volante, por John Kay. O instrumento, adaptado aos teares manuais, aumentou a capacidade de tecer; até ali, o tecelão só podia fazer um tecido da largura de seus braços. A invenção provocou desequilíbrio, pois começa­ram a faltar fios, produzidos na roca. Em 1767, James Hargreaves inventou a spinning jenny, que permitia ao artesão fiar de uma só vez até oitenta fios, mas eram finos e quebradiços. A water frame de Richard Arkwright, movida a água, era econômica mas produzia fios grossos. Em 1779, S Samuel Crompton combinou as duas máquinas numa só, a mule, conseguindo fios finos e resistentes. Mas agora sobravam fios, desequilíbrio corrigido em 1785, quando Edmond Cartwright inventou o tear mecânico.

Cada problema surgido exigia nova invenção. Para mover o tear mecânico, era necessária uma energia motriz mais constante que a hidráulica, à base de rodas d’água. James Watt, aperfeiçoando a máquina a vapor, chegou à máquina de movi­mento duplo, com biela e manivela, que transformava o movimento linear do pistão em movimento circular, adaptando-se ao tear.

Para aumentar a resistência das máquinas, a madeira das peças foi substituída por metal, o que estimulou o avanço da siderurgia. Nos Esta­dos Unidos, Eli Whitney inventou o descaroça­dor de algodão.


Revolução Social



A Revolução Industrial concentrou os trabalhadores em fábricas. O aspecto mais importante, que trouxe radical transformação no caráter do trabalho, foi esta separação: de um lado, capital e meios de produção (instalações, máquinas, matéria-prima); de outro, o trabalho. Os operários passaram a assalariados dos capitalistas (donos do capital).

Uma das primeiras manifestações da Revolução foi o desenvolvimento urbano. Londres chegou ao milhão de habitantes em 1800. O progresso deslocou-se para o norte; centros como Manchester abrigavam massas de trabalhadores, em condições miseráveis. Os artesãos, acostumados a controlar o ritmo de seu trabalho, agora tinham de submeter-se à disciplina da fábrica. Passaram a sofrer a concorrência de mulheres e crianças. Na indústria têxtil do algodão, as mulheres formavam mais de metade da massa trabalhadora. Crianças começavam a trabalhar aos 6 anos de idade. Não havia garantia contra acidente nem indenização ou pagamento de dias para­dos neste caso.

A mecanização desqualificava o trabalho, o que tendia a reduzir o salário. Havia freqüentes paradas da produção, provocando desemprego. Nas novas condições, caíam os rendimentos, contribuindo para reduzir a média de vida. Uns se entregavam ao alcoolismo. Outros se rebelavam contra as máquinas e as fábricas, destruídas em Lancaster (1769) e em Lancashire (1779). Proprietários e governo organizaram uma defesa militar para proteger as empresas.

A situação difícil dos camponeses e artesãos, ainda por cima estimulados por idéias vindas da Revolução Francesa, levou as classes dominantes a criar a Lei Speenhamland, que garantia subsistência mínima ao homem incapaz de se sustentar por não ter trabalho. Um imposto pago por toda a comunidade custeava tais despesas.

Havia mais organização entre os trabalhadores especializados, como os penteadores de lã. Inicialmente, eles se cotizavam para pagar o enterro de associados; a associação passou a ter caráter reivindicatório. Assim surgiram as tradeunions, os sindicatos. Gradativamente, conquistaram a proibição do trabalho infantil, a limitação do trabalho feminino, o direito de greve.

O Muro de Berlim — turismo e história

por Daniel Duclos em 10/11/2010


Berlim é uma cidade moderna e muito ativa. Sua vida cultural é agitada e a geração que nasceu pós derrubada do muro agora entra nos seus 20 anos e está agitando sem nunca ter conhecido uma Alemanha dividida. Há muito mais em Berlim do que história, é verdade.

Mas, quando viajamos para Berlim em 2009, eu queria era ver de perto um pouco da história de uma cidade tão importante.

Lá vi bastante coisa que me fez refletir… não apenas o Memorial do Holocausto e o Museu Judaico de Berlim (ao qual recomendo altamente uma visita), os mais marcantes, mas outros locais relevantes, como o próprio Reichstag de Berlim (o prédio do Parlamento Alemão), perto do Brandenburger tor.

E, claro, o Muro de Berlim.

Berlin, East Side Gallery
Realidade concreta

O Muro de Berlim sempre foi uma coisa meio abstrata para mim. Nasci e cresci num mundo onde o Muro era um fato da vida (e acompanhei na TV quando ele caiu), mas sempre como eco de uma realidade distante.

Quando estive em Berlim, a abstração virou peças de 3,6 metros de concreto bem na minha cara. Eu, muito literalmente, não tinha dimensão da divisão imposta à Berlim.
Origens do Muro de Berlim: um pouco de história

A história do Muro de Berlim começa com o fim da Segunda Guerra Mundial. Após a tomada de Berlim pelos soviéticos a Alemanha se rendeu incondicionalmente. O que restava de seu território foi dividido em 4 zonas: soviética, americana, britânica e francesa. Seguindo esse modelo, a cidade de Berlim também foi rachada em quatro. A porção soviética era a maior de todas, e ocupava a metade oriental da cidade.

Mas até aí não havia muro.

Em 1948, havia muito desentendimento entre os blocos oriental e ocidental. Os soviéticos queriam controlar totalmente Berlim e resolveram estrangular os aliados. Como Berlim ficava bem dentro do setor soviético, Stalin mandou fechar todos os acesso terrestres à cidade. A idéia era fazer com que os aliados ocidentais ficassem à míngua e se retirassem, deixando o caminho livre pros soviéticos.

Não deu certo. Os aliados ocidentais fizeram uma operação gigantesca chamada “Berlim Airlift”. Os suprimentos eram enviados por avião, diariamente. No começo os soviéticos pensaram que era mais um show, e os aliados ocidentais iriam cansar logo.

Quase um ano depois, mais suprimentos eram levados de avião do que era antes via trem. Com o plano falhando miseravelmente, os Soviéticos levantaram o bloqueio, mas decretaram a criação da República Democrática Alemã (conhecida também como Alemanha Oriental).

Com o decreto da nova República, muitos alemães que moravam no lado sovietico resolveram, como dizia Pepe Legal, “dar o pira”. Sair dali, fugir, emigrar para Alemanha Ocidental. Com a emigração aumentando cada vez mais, os soviéticos fecharam a fronteira das duas Alemanhas. Isso rolou em 1952.

Berlim virou, então, um caminho de emigração, porque lá não havia muitas barreiras físicas entre os setores da cidade. Você podia ainda pegar o metrô e descer no lado ocidental, por exemplo. O que aconteceu é que muita gente que estava em outras cidades da Alemanha Oriental viu aí uma saída: viajava até Berlim, cruzava a divisão e pronto. Dali era pegar um avião pra fora da Alemanha Oriental, ou mesmo ficar e morar no lado ocidental de Berlim.

A situação ficou tensa com o fenômeno do “brain drain” (fuga de cérebros). Um grande número de pessoas que fugiam pra Alemanha Ocidental eram profissionais altamente educados, que fugiam por motivos mais políticos e ideológicos do que materiais. Isso começou a pesar na economia a Alemanha Oriental, além de desacreditar o regime.

Isso iria mudar.



Berlin, East Side Gallery
Da noite para o dia: separação brutal e súbita

Algo precisava ser feito. E foi. De maneira dramática. À meia notie do dia 12 pro dia 13 de agosto de 1961 o exército da Alemanha Oriental começou a fechar a fronteira entre os blocos oriental e ocidental, a atravancar as ruas e trabalhadores começaram a erguer uma barreira física isolando e cercando o bloco ocidental do resto da Alemanha Oriental.

Primeiro era uma barreira de arames farpados e cercas, meio improvisada. Nem muro era. Mas servia ao propósito de impedir, ou dificultar ao extremo, a fuga para Berlim Ocidental.

Você imagina isso? Da noite para o dia, as duas cidades estavam separadas. Houve famílias que foram desfeitas, pois esposa e filhos foram dormir na casa da sogra, e o marido ficou em casa, e no dia seguinte, estavam irremediavelmente separados. O lado em que você morava determinaria sua vida. Você mora em um lado da cidade, sua namorada no outro? Sinto muito. Em uma noite, quantas vidas foram destruídas? Não sei. Mas sei que nos próximos 27 anos, muitas mais também o seriam.


Visitando o muro depois da queda

Com o tempo os soviéticos foram tornando a barreira cada vez mais sofisticada. O muro passou por 4 “versões”. A última versão foi implementada em 1975: muro de concreto formado por placas de 3,6 metros de altura e 1,2 metros de largura. Nessa fase não era um muro de Berlim, mas dois: o mais à frente, isolando o lado ocidental, mais famoso, era separado de um outro menor (às vezes apenas uma cerca) por uma faixa de isolamento, uma terra de ninguém tristemente apelidada de “faixa da morte”.

Dois mundos separados por dois muros. Entre eles, a morte. (Foto: Thierry Noir. Licença CC Attribution-Share Alike 3.0)

É essa versão, de 3,6 metros, que estava em vigor quando o muro foi derrubado em 1989 (ele não caiu — ele foi derrubado pelas pessoas que pararam de acreditar nele). Rapidamente, o muro foi desaparecendo, sendo desmontado por milhares de pessoas. O que não foi destruído, foi demolido posteriormente e pouco sobreviveu até hoje.

Mas o pouco que existe, ainda assombra.

The Wall
Marcas no chão: Reichstag e Brandenburger tor

Em alguns lugares existem marcas no chão de onde passava o muro, ou placas memoriais. Uma dessas marcas você pode achar ao lado do Reichstag.

Ao lado do Reichstag há uma linha no chão, inclusive onde hoje há uma rua, mostrando por onde seguia o muro. É sutil de ver, mas ela aparece inclusive na vista aérea do Google Maps, se você souber onde procurar. É mais fácil de entender vendo uma foto da época, mostrando o parlamento com o muro à frente.

Mas a visita ao Reichstag vale mais pelo Parlamento do que pelo muro. Cito mais para você prestar atenção e procurar a marca e tentar ver como o muro separava dois pontos marcantes de Berlim, o Reichstag e o Brandenburger tor, ali perto.
Berlin, Brandenburger Tor

Brandenburger tor



Reichstag
Berlin, Brandenburger Tor & Reichstag


Ambos. Ao meio, passava o muro.

Pedaços isolados e marcas no chão: Potsdamer Platz

A Potsdamer Platz era a praça mais famosa e importante da Berlim pré-Guerra — centro da vida noturna, da agitação cultural, coração de uma metrópole crescente. Durante a Guerra foi abundantemente bombardeada pelos aliados (o prédio da Chancelaria do Reich, onde o monstro se escondia, ficava a apenas uma quadra dali).

O muro de Berlim dividiu o que havia restado (não muito) em dois. O antigo centro cultural virou uma terra desolada, vigiada por guardas armados dia e noite. Por vinte e sete anos, o muro matou essa antiga área nobre no coração de Berlim.

Após a queda do muro, o espaço foi recuperado, e um moderno centro surgiu. Porém, alguns pedaços da história contrastam com os prédios do século XXI. No local onde passava o muro, foram colocados alguns dos pedaços originais, intercalados com placas explicativas, contando a história e mostrando fotos.
Berlin, Postdamer Platz

Pedaço original do muro com símbolo da paz grafitado. É. Da paz. A arte marca com esperança o concreto da brutalidade.


Berlin, Postdamer Platz


Do passado sombrio ergue-se o presente com luzes.

Berlin, Postdamer Platz

Comunicação entre dois mundos: Checkpoint Charlie

O isolamento entre os blocos oriental e ocidental não era completo. Havia alguns pontos de passagem oficial. O mais famoso, de longe, ficou conhecido por Checkpoint Charlie (originalmente Checkpoint C. Charlie é a pronúncia de C no alfabeto de soletrar da OTAN).

Esse portão acabou ficando icônico e se transformando num verdadeiro símbolo da Guerra Fria. Apareceu em filmes e livros de espionagem, foi palco de impasses perigosos, quando uma guerra poderia virar de fria em quente muito rápido e testemunhou mortes terríveis, como a do adolescente Peter Fechter.

Ele tentou cruzar para o setor ocidental perto do Checkpoint Charlie, foi atingido por guardas da Alemanha Oriental e caiu do lado oriental do muro que estava pulando, ou seja, dentro da faixa da morte. Ele ficou ali, berrando por ajuda, sendo observado pelos ocidentais (incluindo jornalistas), sem ninguém resgatá-lo, cada lado temendo o outro enquanto o adolescente sangrava até a morte — que ocorreu uma hora depois.

Hoje em dia há uma réplica da cabana de metal instalada pelos poderes ocidentais — como os ocidentais não reconheciam o muro como legítimo, eles não tratavam o Checkpoint Charlie como fronteira internacional — e uma réplica da famosa placa “Você está deixando/entrando (n)o setor americano” escrita em 4 línguas.

Berlin - Checkpoint Charlie

Berlin - Checkpoint Charlie Checkpointcharlie - Berlin

A placa original pode ser visitada ali ao lado, no museu particular Haus Am Checkpoint Charlie.

Lá está contada, detalhadamente, não só a história do Checkpoint Charlie, mas do muro e das pessoas que se dispuseram a atravessar o muro. Algumas com sucesso, outras não. Foi muito marcante ler sobre as vidas atropeladas pela súbita construção do muro, e do desespero que leva aos mais mirabolantes métodos para fugir da ditadura da Alemanha Oriental.

Checkpoint Charlie Berlin



Serviço Haus Am Checkpoint Charlie

http://www.mauermuseum.de/english/frame-index-mauer.html

Endereço: Friedrichstraße 43-45 (desça na estação Koschstraße do metrô)
Aberto todos os dias, das 9h00 às 22h00
Entrada inteira: €12,50. Veja lista de preços completa.

Arte na maior seção do muro que sobrevive: East Side Gallery

A maior porção contínua do muro preservada até hoje (1,3 km) é conhecida como East Side Gallery — Galeria do Lado Oriental. Ela fica ao longo do rio, na Mühlenstraße 1.

Você sempre viu o muro de Berlim todo grafitado, ok. Mas esse era, obviamente, o lado ocidental do muro. O lado oriental só era possível de atingir após cruzar a faixa da morte. Porém, depois da queda do muro, artistas do mundo todo resolveram grafitar o lado oriental, originalmente vazio de qualquer coisa que não fosse cartazes de “verboten” (proibido), e acabaram criando uma grande galeria de arte ao ar livre.

Hoje em dia é possível visitar a galeria, mas os grafites estão muito degradados. Muita pichação foi feita em cima, com as mais idiotas frases (e sim, em português também). Mesmo assim, se você está visitando Berlim e quer ver apenas um ponto ligado à história do muro, é esse.

No dia em que fomos lá estava extremamente frio. Eu não sou um cara friorento — por exemplo, guento regularmente e sem problemas temperaturas de menos 4 sem luvas. Minha mão tem bom aquecimento interno. Eu aproveito isso pra tirar fotos sem luvas em temperaturas bem baixas. Porém, nesse dia, estava… frio. Quando minha mão parou de doer (e responder a comandos), resolvi para de brincadeira e guardá-la um pouco. Estimo que devia estar —10°C nesse dia. Frio pra cacete, ou seja.

De qualquer maneira, eu gostei muito da minha visita à East Side Gallery, e passei um bom tempo fotografando (a Carla fotografou também, mas logo se dedicou a tarefas mais preementes, como sobreviver).

Berlin, East Side Gallery Berlin, East Side Gallery
The Mortal kiss, de Dimitrij Vrubel


Essa obra é uma das mais famosas da East Side Gallery. Você pode ver a foto que inspirou a obra de arte e como ela era quando foi pintada. Mas infelizmente, ela não envelheceu bem e em 2009 estava bem deteriorada.


Queda do Muro de Berlim

Em 1989 a Hungria abriu sua fronteira coma Áustria, virando uma via de fuga para os alemães orientais. Eles iam como turistas, e cruzavam pra Áustria em massa, forçando a Hungria a impedir a passagem dos alemães, enviando-os de volta à Budapeste. A Alemanha Oriental acabou proibindo viagens à Hungria, mas os alemães passaram a fugir usando a rota da Techecoslováquia. Grandes protestos e demonstrações varreram a Alemanha Oriental, e a massa de refugiados só aumentava. Eventualmente o governo da Alemanha passou de mãos, com o antigo líder Erich Honecker sendo substituído por Egon Krenz.

Krenz, o novo líder, resolveu permitir a passagem entre Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental, já que as pessoas estavam fugindo pelos países vizinhos. Mas a passagem deveria ser feita mediante permissão especial, não era livre. Essa nova regulamentação deveria entrar em vigor no dia 17 de novembro, e deveria ser anunciada pelo porta-voz do governo no dia 9 de novembro.

Agora vem a parte mais legal: o porta-voz não estava totalmente a par das novas regulamentações e recebeu apenas uma nota curta dizendo que a passagem seria permitida entre as Alemanhas. Ele, sem saber de nada, chamou a imprensa e leu a nota curta literalmente, dizendo, a passagem entre as Alemanhas está liberada. Surpresos, os jornalistas perguntaram quando isso estaria válido. O porta-voz respondeu: “Até onde eu sei, já está valendo.” Um jornalista perguntou se era possível passar pelo muro, então, se os portões estariam abertos.

“Imagino que sim”.

Conforme a notícia se espalhou, a população de Berlim Oriental saiu para as ruas e seguiu em massa pros portões do muro. Os guardas não estavam sabendo de nada e ficaram completamente surpresos com a multidão exigindo a abertura dos portões. Em pânico, sem saber o que fazer, sem coragem de abrir fogo na multidão, os guardas abriram os portões… e o muro caiu.


A fuga do guarda

Existe uma fotografia icônica, tirada logo no começo da construção do muro, quando ele era apenas uma barreira de arames farpados, em seus primeiros dias. Mostra um soldado da Alemanha Oriental, Conrad Schumann, pisando no arame, pulando pro lado ocidental, abandonando seu posto para desertar.

Essa fotografia tem copyright e não achei informação do autor liberando seu uso ou não, então coloco um link para a foto. Vá ver, vale a pena.

Para mim, essa foto tem um forte apelo, pois mostra um guarda fugindo, alguém que deveria estar guardando a fronteira e garantindo a divisão, se recusando a fazer isso. Esse momento, no começo do muro, está ligada com o seu fim, a maneira em que ele caiu — quando as pessoas pararam de acreditar nele, quando os guardas se recusaram a abrir fogo na multidão, quando alguém simplesmente disse: está aberto.

Se cada guarda tivesse feito como Schumann, quem iria atirar nos desertores? Se cada um envolvido na construção do muro disesse, “não, isso não faz sentido, eu me recuso”, quem iria construí-lo?

Não são muros que dividem as pessoas, os povos, as sociedades. São as próprias pessoas. Cada uma delas. Muros sem guardas caem rapidamente, como ficou demonstrado em 89.
Dicas de Berlim

Eu escrevi como ir de Amsterdam à Berlim, e dei dicas sobre o transporte público na cidade. Um programa cultural muito legal em Berlim é visitar a Ilha dos Museus.



Daniel Duclos (Daniduc), o autor do texto, mora na Holanda, desde novembro de 2007. É o editor do Ducs Amsterdam, o qual escreve, fotografa e ilustra. Possui também um portfolio on-line pra suas fotos e ilustrações.

Retirado de: Muro de Berlim: história e roteiro pra visitar em Berlim — Ducs Amsterdam http://www.ducsamsterdam.net/muro-de-berlim-turismo-como-ver/#ixzz1EL72SIb5

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Obama se reúne com empresas de tecnologia

Presidente dos Estados Unidos marcou encontro com líderes como Mark Zuckerberg, do Facebook, e Steve Jobs, da Apple

Por Redação

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai se encontrar hoje, 17,com uma série de comandantes de empresas de tecnologia. A lista de convidados para o evento inclui Steve Jobs, da Apple, Marck Zuckerberg, do Facebook, Eric Schimidt, do Google, e Dick Costolo, do Twitter.

A reunião, segundo comunicado oficial da Casa Branca, faz parte de uma estratégia de diálogo com a comunidade empresarial que tem como objetivo fortalecer a economia, dar suporte ao empreendedorismo, aumentar as exportações e fazer os americanos voltarem ao trabalho.

Ainda segundo o comunicado, o presidente americano e os líderes do setor de tecnologia devem conversar sobre inovação e tratar de compromissos em novos investimentos nas áreas de pesquisa, educação e energias limpas.

Confira a lista de presença do evento:

John Doerr, sócio da Kleiner Perkins Caufield & Byers
Carol Bartz, presidente do Yahoo!
John Chambers, CEO da Cisco Systems
Dick Costolo, CEO do Twitter
Larry Ellison, CEO da Oracle
Reed Hastings, CEO da NetFlix
John Hennessy, president da Universidade Stanford
Steve Jobs, CEO da Apple
Art Levinson, CEO da Genentech
Eric Schmidt, CEO do Google
Steve Westly, sócio do Westly Group
Mark Zuckerberg, presidente doFacebook

*As informações são do Los Angeles Times

Horário de verão acaba no próximo sábado



O horário de verão termina nesta semana em Brasília e em dez Estados das Regiões Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo), Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná). À meia-noite de sábado, os relógios deverão ser atrasados em uma hora.
No verão passado, o consumo de energia no horário de pico foi 4,4% menor no Sudeste e Centro-Oeste. O porcentual equivale ao abastecimento de uma cidade com cinco milhões de habitantes no período. A alteração não é feita nas Regiões Norte e Nordeste por causa do ganho considerado pequeno, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
No Brasil, o horário de verão - que surgiu de uma ideia dada pelo inventor americano Benjamin Franklin em 1784 - foi adotado pela primeira vez em outubro de 1931, atingindo todo o território nacional.

Bahrein: o governo contra a população

Forças de seguranças do Bahrein atacaram, sem aviso e durante a madrugada, um acampamento de manifestantes antigoverno. O saldo: três mortos e 230 feridos
Redação Época
Hasan Jamal / AP


TRAGÉDIA Mulheres barenitas aguardam notícias de seus parentes do lado de fora de um hospital em Manama

As imagens divulgadas por ativistas no Twitter e pelas agências de notícias falam por elas mesmas. Manifestantes, médicos e até crianças apresentam graves ferimentos, todos causados por um ato bárbaro das forças de segurança do Bahrein na madrugada desta quinta-feira (17). Após o cair da noite, sem aviso e quando a maior parte dos manifestantes dormia na praça da Pérola, no centro de Manama, a polícia invadiu o acampamento, provocando o pânico. Alguns reagiram, a maioria fugiu, mas todos ficaram com ainda mais raiva do governo do rei, Hamad ibn Isa Al Khalifa, que tenta conter a qualquer custo os protestos por mais liberdade e melhores condições de vida no país.

Os relatos que chegam do Bahrein são assustadores. Eles mostram, como na Tunísia e no Egito, qual é o tipo de governo que os movimentos populares estão tentando derrubar. O ataque começou às 3h15 da manhã desta quinta (22h15 de Brasília) com a polícia jogando bombas sonoras e de gás lacrimogêneo sobre os acampamentos. Em seguida, os policiais invadiram a praça tomada pelos manifestantes dando tiros de espingarda e portando porretes e facas. “Nós estávamos dormindo e eles começaram a cortar nossas tendas”, disse ao jornal britânico The Guardian Nabeel Ebrahim, que dormia ao lado de dois cirurgiões, de prontidão na praça para ajudar os manifestantes em caso de conflito. Segundo o jornal britânico, um dos médicos, Sadiq al-Ikri, está internado em estado grave depois de ser algemado e “chutado repetidamente” na cabeça, no rosto e no corpo. Ele não foi o único médico atacado. Ao The Wall Street Journal, o motorista de ambulância Jasim Al Sankes disse que foi arrancado do veículo quando se dirigia para a praça, e espancado por policiais. Um jornalista, Miguel Marquez, da rede ABC, dos EUA, também foi agredido.



Diante da brutalidade do ataque, o número de vítimas – três mortos e 230 feridos – é surpreendentemente pequeno. A polícia cercou a praça antes de iniciar o ataque e, assim, fez com que os manifestantes que fugiam se deparassem com novas forças policiais. Nem mesmo as crianças foram poupadas. Uma imagem chocante circulou no Twitter durante esta quinta. Nela, uma garota aparentando sete anos é vista deitada em uma cama de hospital, com ferimentos de espingarda e um corte profundo no lado direito do corpo. Uma leitora escreveu ao jornal The Guardian dizendo que estava em Manama e que a garotinha estava viva. Diante das centenas de feridos, o governo do Bahrein reagiu dizendo que os manifestantes estavam armados com facas, espadas e armas de fogo, e mostrou na TV estatal imagens que seriam de policiais gravemente feridos.

As táticas das tropas de choque do Bahrein – que mais parecem as de um grupo de extermínio – escandalizaram a comunidade internacional. A Anistia Internacional condenou o uso de “força mortífera e sem aviso” e pediu “investigações imparciais”. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, se disse “profundamente perturbado” com os episódios, e o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que manifestou “profunda preocupação” ao governo do Bahrein.

Oficialmente, o Bahrein era, até 2002, um emirado. Naquele ano, Hamad ibn Isa Al Khalifa, então emir do Bahrein, declarou que o país era seu reino e se autoproclamou rei do Bahrein. Ele e a elite do país são sunitas, e tentam controlar uma população majoritariamente (entre 60% e 70%) xiitas, o que torna o Bahrein um país altamente instável. Como fizeram Zine El-Abidine Ben Ali, na Tunísia, e Hosni Mubarak, no Egito, Al-Khalifa aposta na violência contra sua própria população para se manter no poder. Resta saber o que ele pretende fazer para evitar que, como na Tunísia e no Egito, os ataques contra os cidadãos não sejam o início do fim de seu reinado.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Atentados terroristas retrataram começo de século

Os ataques às torres gêmeas do World Trade Center em Nova York, em 2001, compuseram a imagem mais emblemática da primeira década do século 21. Os atentados deram início a uma década de guerras contra o terrorismo. Os primeiros dez anos do século também trouxeram uma das piores crises econômicas da história, os efeitos do aquecimento global e a expansão do acesso a novas tecnologias.

Direto ao ponto: Ficha-resumo

Para o historiador Eric Hobsbawm, dois acontecimentos definiram o começo e o fim do século passado. O século 20 teria iniciado com a Primeira Guerra Mundial, em 1914, e terminado com a queda dos regimes comunistas no Leste Europeu.

Poderíamos dizer, do mesmo modo, que o atual foi inaugurado com os ataques aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. O presidente George W. Bush, recém empossado, respondeu a eles dando início a duas guerras no Afeganistão e no Iraque.

O Afeganistão foi invadido para obrigar o país muçulmano a entregar Osama Bin Laden, líder da rede Al Qaeda. Responsabilizado pelos atentados aos Estados Unidos, o terrorista até hoje não foi capturado. No Iraque, a justificativa para a deposição do ditador Sadam Hussein foi a existência de armas de destruição em massa, que nunca foram encontradas.

A partir de então, o medo de novos ataques terroristas se espalhou pelo mundo. Em 2004, dois atentados mataram centenas de pessoas no metrô de Madri, na Espanha, e na cidade de Beslan, na Rússia. Em julho do ano seguinte, explosões vitimaram 52 pessoas em Londres, no Reino Unido. O pânico levou a polícia londrina a executar o brasileiro Jean Charles de Meneses, confundido com um terrorista no metrô.


Economia
Outro grande acontecimento da década foi a crise econômica internacional, a pior desde 1929. O marco foi a falência do banco americano Lehman Brothers, em 15 de setembro 2008. Os efeitos da crise incluíram um longo período de recessão em países europeus e, indiretamente, a eleição de Barack Obama, o primeiro negro a ocupar o cargo em Washington.

Em meio ao caos no mercado financeiro, a China ultrapassou o Japão e se tornou a segunda maior potência econômica do planeta. Ao mesmo tempo, o regime comunista de Pequim virou alvo de críticas por violações dos direitos civis e degradação do meio ambiente.

Junto com a economia, o aquecimento global foi o assunto que mais reuniu líderes mundiais na década. Em fevereiro de 2007, um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) culpou a ação humana pelas mudanças climáticas. Os efeitos, porém, já eram sentidos em todo o planeta: ondas de calor na Europa, enchentes no Sudeste Asiático e furacões na América. Houve ainda outras catástrofes naturais graves que devem ser mencionadas como os terremotos que devastaram o Chile e o Haiti em 2010.

Os cientistas ainda anunciaram o sequenciamento do genoma humano (2001), abrindo caminho para cura de doenças, e a primeira pandemia do século (2009), a gripe suína. Na área de tecnologia, o crescimento da internet, o surgimento das redes sociais e a sofisticação dos aparelhos celulares e computadores transformaram as relações humanas.


Brasil
No Brasil, a década começou com a chegada do primeiro sindicalista à Presidência. Se, como disse Maquiavel, a manutenção do poder se faz equilibrando virtudes naturais do governante (virtú) e a própria sorte (fortuna), pode-se dizer que Luiz Inácio Lula da Silva teve ambas.

Eleito em 2002, conseguiu dois feitos notáveis: manteve a economia nos eixos e melhorou a distribuição de renda. Além disso, o petista sobreviveu a escândalos políticos como o “mensalão”, em 2005, e tirou proveito da descoberta de reservas de pré-sal e da escolha do país para sediar a Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.

Mesmo assim, o Brasil atravessou a década com problemas antigos, de infraestrutura, saneamento, educação e saúde. Alguns deles até piores, como a violência urbana. Numa versão nacional do terrorismo, as duas maiores metrópoles do país foram vítimas de ondas de ataques do crime organizado: São Paulo, em 2006, e Rio de Janeiro, em 2010.

Pela TV, os brasileiros acompanharam “novelas reais” como o sequestro de Sílvio Santos, as mortes do prefeito de Santo André, Celso Daniel, e do repórter da TV Globo Tim Lopes, e os julgamentos de Suzane von Richthofen e do casal Nardoni.

Houve também as tragédias aéreas. A colisão de um avião da Gol com um jato da Embraer matou 155 pessoas (2006), e a queda de um Airbus da TAM ao lado do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, deixou 199 mortos (2007).

Os dez primeiros anos do século 21 terminaram no país com a eleição de Dilma Rousseff, a primeira mulher na Presidência da República.


Direto ao ponto Os ataques aos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 inauguraram a primeira década do século 21. Os atentados levaram os Estados Unidos a se envolverem em duas guerras, no Afeganistão e no Iraque, e foram sucedidos por outros massacres ocorridos na Espanha, Rússia e Reino Unido.

A crise econômica internacional, a pior desde 1929, foi outro fato marcante. Ela começou com a falência do banco americano Lehman Brothers, em 15 de setembro 2008. Os desdobramentos da crise incluíram a recessão em países europeus e a eleição de Barack Obama.

Durante dez anos, os líderes mundiais se reuniram por diversas ocasiões para discutir o aquecimento global. Os efeitos das mudanças climáticas foram sentidas em todo o planeta, com ondas de calor na Europa, enchentes no Sudeste Asiático e furações.

No Brasil, a “era Lula” trouxe avanços na área social e escândalos políticos. Ela terminou com a eleição de Dilma Rousseff, a primeira mulher a ocupar o cargo de presidente no país.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Projeções Cartográficas 2011

Fusos2011

O mais novo e maior aquífero do Brasil


Geólogos da UFPA - Universidade Federal do Pará descobriram e demarcaram o que talvez seja o mais novo e maior aquífero do Brasil. O aquífero, batizado de Alter do Chão, possui a vantagem de ser totalmente brasileiro, fato que não ocorre com o Aquífero Guarani.

Soa no mínimo paradoxal que em um país onde se descobre cada vez mais riquezas, tenhamos uma gravíssima concentração de renda e desigualdade. Os requisitos são suficientes para nos tornarmos uma nação desenvolvida. A falta de visão aliado à constante incompetência administrativa de nossos políticos nos transformam em uma nação que está sempre para crescer, mas que de fato nunca cresce.

Uma pena que provavelmente esse aquífero tenha o mesmo destino de nossas demais riquezas, sendo vendido a preços simbólicos a outras nações ou destruído pela exploração irregular. A massa de pobres continuará a não participar da divisão da fartura brasileira. Permanecerá sustentando a elite através das migalhas recebidas.

Antártica a última fronteira

A Antártica é a única região da Terra ainda não totalmente conquistada pelo homem. É o mais frio, mais seco, mais alto, mais ventoso, mais remoto, mais desconhecido e mais preservado de todos os continentes. E reserva, para o visitante, incríveis momentos de diálogo com a natureza


Por Luis Pellegrini




Na Baía do Almirantado, esgueirandose entre a miríade de blocos de gelo flutuantes, nosso bote de borracha se aproximou da praia de neve e cascalho onde, mais à frente, deveria aparecer a Estação Antártica Comandante Ferraz. Perguntei: “Onde está a estação? Onde estão os sessenta e tantos módulos de aço galvanizado que a compõem, pintados com o gritante verde-esperança-danossa- bandeira?” Sobre a superfície branquíssima do imenso campo de neve viam-se apenas algumas grandes manchas de cor laranja intenso, encimadas por antenas parabólicas. Essas manchas eram o teto da base. Tudo o mais estava invisível, coberto pela neve.


Chegada à base brasileira Comandante Ferraz. Da praia só era possível ver o teto e as antenas parabólicas. As instalações estavam praticamente soterradas pela neve que, no inverno de 2009, foi muito abundante na Península Antártica.


Na praia, um pequeno grupo de brasileiros estacionados na Comandante Ferraz, nos esperava com as boas-vindas. “Este ano (2009) tivemos a maior quantidade de neve desde a inauguração da base, em 1984. Todas as instalações estão cobertas por uma camada de três metros. Só os tetos ficaram de fora, e assim mesmo porque após cada nevasca vamos lá em cima e varremos tudo”, explicou o baiano Roberto Lopes dos Santos, sargento da Marinha especializado em instalações elétricas, há quase dois anos na Estação, enquanto nos conduz para a entrada dela. Qual a razão dessa neve toda? “Os climatologistas acham que é por conta do aquecimento global. A temperatura média na Península Antártica, onde nos encontramos, aumentou cerca de cinco graus centígrados nos últimos anos. Temperaturas mais altas significam maior evaporação de água. Mais umidade na atmosfera significa maior índice de precipitações. Assim, por incrível que pareça, a causa dessa neve toda é o calor”, completou o sargento Roberto.

Pisando na neve fofa, enfiando as pernas até os joelhos, chego diante de um grande buraco. Uma série de degraus escavados na parede interna do buraco forma uma escada rudimentar que desce até a entrada.

Passada a porta, entra-se num grande salão cheio de mesas e sofás. Tem até um barzinho. É a área social da Estação Comandante Ferraz. O lugar onde o pessoal se reúne nos momentos de folga e se recebem as visitas. Sobre uma mesa, bandejas cheias de bolos, biscoitos e bolachas maizena. No ar, o cheirinho de café fresco não deixa margem a dúvidas: estamos em território brasileiro.

A entrada da Estação Comandante ferraz teve de ser escavada na neve.

Lá dentro, todo mundo está de camiseta, os aquecedores estão todos desligados. Faz calor. Como isso é possível quando se está soterrado sob três metros de neve? É o “efeito iglu”, bem conhecido pelos esquimós que habitam o outro extremo da Terra, o Ártico. Uma casa de gelo reflete e concentra o calor em seu interior.

área social da Base. o aroma de café estava em toda parte, e bolachas maizena enchiam as bandejas sobre as mesas. Estávamos no Brasil.

Os delírios do clima que estão acontecendo no Ártico, com o derretimento das banquisas e profundas alterações nos territórios polares da Groenlândia, Sibéria e Canadá, também dão o ar de sua graça na Antártica. Até há poucos anos, só no auge do verão austral, entre dezembro e fevereiro, era possível chegar de barco até as praias continentais da Antártica. Nos outros meses a superfície do mar se tornava gelo sólido, por extensões que podiam chegar a muitos quilômetros a partir das praias. Hoje, como aconteceu agora conosco, esse gelo se derreteu muito antes, já a partir do final do mês de outubro.

No mar, quanto mais nos aproximávamos do continente antártico, a bordo do navio norueguês NordNorge, a quantidade de icebergs surpreendia até os experimentados cientistas internacionais que lá estavam. Memórias do Titanic provocaram arrepios em alguns passageiros: passamos ao largo de montanhas de gelo flutuantes com mais de 50 metros de altura e dezenas de quilômetros de extensão. Se sabemos que, nos icebergs, apenas uns 20% do gelo aparece à superfície, era fácil imaginar o tamanho dos outros 80% que permanecem submersos abaixo dela.

Em certas áreas as águas antárticas são tão claras e transparentes que se consegue ver dezenas de metros da parte submersa dos icebergs. Um espetáculo tão bonito quanto assustador. Sobretudo quando o iceberg é muito grande e azul da cor do céu. “São aqueles feitos de gelo muito velho, às vezes velho de milhares de anos, e que contêm pouquíssimo oxigênio dissolvido na sua composição”, explica o canadense John Chardine, especialista em geografia da Antártica.

no litoral da Ilha Danco, um iceberg flutua junto ao navio.
Quando se navega no litoral antártico, é preciso estar pronto para viver uma surpresa atrás da outra. Mas ninguém está preparado para a beleza tira-fôlego do Canal Lemaire, braço de mar de 11 quilômetros de extensão e 1,5 quilômetro de largura, entre a Ilha Booth e a Península Antártica. De um lado, os glaciares e as falésias escarpadas da ilha; do outro, as montanhas de cumes arredondados, cobertas de gelo, do continente. No meio, uma superfície marítima de águas azuis, tão tranquilas que tudo se reflete nelas, duplicando o efeito da paisagem. Em certos pontos, miríades de icebergs de todos os tamanhos conferem ao mar o aspecto de um imenso campo de vidro craquelê. De repente, as águas se agitam e um bando de pinguins passa em corrida desabalada. Compreensível. Atrás deles, ágil como um míssil submarino, corre uma foca leopardo faminta, em busca do seu habitual almoço: quatro ou cinco pinguins al dente.
“Olha lá, olha lá: são as Tetas de Oona” (Oona’s Teats), grita o vulcanólogo alemão Uli Dornsiepen, outro cientista a bordo, apontando para dois portentosos rochedos avermelhados que, lado a lado, realmente lembram gigantescos seios femininos. E corremos todos para o lado do navio de onde se pode ver melhor as Tetas de Oona. Uli explica que o próprio descobridor do Canal Lemaire, o inglês Eduard Dallman, assim batizou os dois rochedos, em 1873, em homenagem a sua esposa, Oona

os pinguins gentoo chegam à Ilha Cuverville.
A visita à Ilha Cuverville, sempre na Península Antártica, aconteceu numa manhã de muita sorte. Cuverville abriga uma das maiores colônias de pinguins gentoo de toda a Antártica. Essa espécie de pinguim, exclusiva do continente branco, tem a peculiaridade de passar os oito meses seguidos do inverno no mar. No início da temporada fria, centenas de milhares deles pulam nas águas e ficam nelas até o meio da primavera. No inverno ártico, o mar é bem mais quente do que a terra.Certa manhã, entre o fim de outubro e o início de novembro, e como se obedecendo a algum chamado secreto, todos eles voltam à terra, pulando em grupos para fora d’água e caindo de barriga na neve.

No NordNorge estavam vários biólogos especialistas em fauna antártica, mas nenhum deles jamais tinha observado o grande momento da volta dos gentoos à terra para o início da temporada de reprodução. Pois bem: aconteceu exatamente quando estávamos em Cuverville. De repente, alguém gritou: “Os pinguins estão chegando!” E realmente, primeiro uns dez, depois vinte, cem, milhares de criaturinhas vestidas de preto e branco foram saltando para fora do mar. Parecia um milagre. E estávamos lá para ver e fotografar.

casal de gentoos namorando

Em pouco tempo, os pinguins estavam reunidos no alto e nos flancos das colinas costeiras, fazendo grande alarido, cada um deles buscando reencontrar seu companheiro ou companheira da temporada passada. Os gentoos são companheiros fiéis, e só escolhem outro marido ou esposa quando o outro não aparece para o grande encontro.

Foramos bem avisados: para nós, a distância máxima de aproximação das colônias de pinguins é de cinco metros. Mas podíamos sentar no chão, sobre a neve, e esperar. Caso algum pinguim estivesse interessado, caberia a ele se aproximar ainda mais. E eles vêm, tão curiosos quanto seus visitantes humanos, não resistem. Aproximamse até ficarem bem perto e nos examinam com atenção, balançando a cabeça para a direita e a esquerda.
Depois do exame, se a pessoa sentada diante deles for aprovada, levantam a cabeça bem alto e, lentamente, como quem faz uma reverência, curvam o pescoço para a frente até o bico tocar no chão. Fazem conosco exatamente o que fazem quando encontram o parceiro procurado: o saúdam com muito respeito. Sabíamos todos qual era a mensagem implícita naquele gesto de cortesia do pinguim para o humano escolhido. Na noite anterior, os biólogos tinham explicado tudo em detalhes: “Eu te reconheço e aceito como meu companheiro. Fique aqui, comigo.”

Como conter umas lágrimas de emoção? Esses encontros costumam acabar em poucos minutos, mas duram uma eternidade e encerraram uma lição difícil de esquecer: mesmo no mundo dos gelos eternos da Antártica, o diálogo homem/natureza pode acontecer. Desde que sustentado pelo respeito mútuo, pelo pacto de não agressão, pela aceitação das diferenças.
O continente dos extremos

Imagine um lugar com uma extensão territorial que, no verão, é de 13,7 milhões de quilômetros quadrados (a mesma que Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Bolívia juntos), mas que, no inverno, com o congelamento dos mares a seu redor, chega a 22 milhões de quilômetros quadrados.

Esse lugar concentra 90% do gelo do mundo, disposto em camadas com espessura que varia entre 2.200 metros e 4.800 metros. Todo esse gelo representa 80% da água doce do planeta. Porém, apesar de tanta água, trata-se do lugar mais seco do mundo, pois as baixas temperaturas não permitem a evaporação.

Separada dos demais continentes por mares tempestuosos, a Antártica é a mais fria, isolada, ventosa e inóspita região da Terra. Esse continente foi descoberto há apenas dois séculos. Hoje, a presença do homem na Antártica tem como objetivo primordial a pesquisa científica. Dezenas de países instalaram lá bases de pesquisa, entre elas o Brasil, com sua Estação Comandante Ferraz, onde vivem durante todo o ano cerca de 50 pessoas, entre militares, cientistas e auxiliares.

Localizada na Ilha Rei George, no arquipélago das Shetland do Sul, a base brasileira só pode ser alcançada por mar durante o verão, ou por helicóptero durante o ano todo. Suas instalações foram projetadas para resistir a temperaturas de 35 graus negativos e ventos de até 200 quilômetros por hora, mantendo a temperatura interna estável.

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